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14.3.07

Trindade tempestade (10/02/07)

E de manha cedo, depois de pernoitar num acampamento de preço razoável, seguimos para Trindade, conforme sugestão de alguns que encontramos no caminho. Lá, foi busca imediata da necessidade mais básica: abrigo. Incrível ver isso a prova desta maneira, sair do discurso da habitação como demanda prioritária do se humano e sentir, na vida real.

E, depois de garantirmos teto por três dias, passamos para outra precisão de sobrevivência: o alimento. Bom que dava para usar a aparelhagem inteira de camping. A cidade era falhada de alguns equipamentos, como bancos. Os serviços eram caros e alguns produtos também. E, por conta disso, tivemos que ir num dos dias à Parati, no intervalo de chuvas, posto que o céu fechou-se por lá.

Pegamos tempestade de alagar barracas e deixar muitos sem abrigo. No nosso caso, tivemos que dar duro na arquitetura, tirantes para reforços de plásticos, dada a falha absurda de impermeabilização (aquela tosca costura em lugar infeliz) nessas barracas de acampar.

[para repartir a cabeça, ainda uma bronca a mais, comunicada bruscamente: incompatibilidade extrema de nossa Sofia em seu lar provisório. Caiu como o teto, mais forte que o vendaval]



na cozinha
konidomo

pra suportar
konidomo

choveu
konidomo

[o nome da rosa]

Um nome para o fusca, que surja natural. A nossa intenção era essa e tão forte que aconteceu. Natural. Quando tínhamos tudo para pensar e como se não bastassem todas as broncas do momento... Uma piada? É rir para não chorar? Essa parte foi tão cearense! Engraçado que depois do Rio, lembramos mais o fato de sermos nordestinos, ficou mais rotineiro. E para tal, brincadeiras, inclusive entre nós, o pernambucano torto (origens confusas) e a cearense super homônima de outra cearense (dois carimbos na testa). A gente também ri das rivalidades ou excentricidades de cada Estado. E foi assim que conheci o diminutivo de Severino (nome muito taxativo, muito Nordeste). No Pernambuco, chama-se BIU o Severino, assim como Chico o Francisco, Toim o Antônio e etc. E, diante da expressão de estranhamento, eles explicam como óbvio, como José é Zé. E o fusca, por patifaria, virou Biu. É claro que foi uma homenagem a nossas raízes, engraçadas e sérias ao mesmo tempo. Como aquele adesivo de carro ‘orgulho de ser... ’. Bonito: agrega a terra, o homem de cócoras, a valentia, o sertão, o tom avermelhado, o pau de arara, mesmo quando é caricato. Mas a gente bate no peito e se um diz oxe, o outro diz vixe, autênticos. Coisa que fazemos questão.
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1 Comments:

Anonymous Heron said...

bom Dia! Espero que esteja tudo bem com vocês... estou sempre acompanhando seu trajeto pelo blog; muito bom, faz valer a pena a saudade!

É fantástico como vocês têm conhecido e degustado tantos lugares, pessoas... a vida enfim!

O que me levou a lembrar inevitavelmente vocês foi uma entrevista com o Zé Celso. Planejam visitá-lo? Aposto que seriam bem-vindos, e que seria uma parte bem interessante de sua viagem polissêmica.

Abraço e beijo! Saudades... mas demorem a voltar!!

6:22 AM  

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