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14.3.07

Rio redoma (07/02/07)

O prédio onde ficamos situava-se em Jacarepaguá. Pelas redondezas do Projac. Era tão forte o imaginário da infância dessa coisa de televisão, que nos primeiros dias vimos do mirante do condomínio o complexo cenográfico da Rede Globo e sua aura cercada por matagais. Imensidão de terras, arquitetura ilustrada entre as lacunas verdes, cidade recriada, inventada, de mentira. Mentira bem contada, é verdade, a gente até sabe o quanto assimila. E ficou com a ilusão na cabeça de que poderia realmente encontrar pela rua uma celebridade (a mesma quando chegamos nas cidades e acreditamos na possibilidade de esbarrar com os conhecidos do lugar. Mesmo anônimos.). Brincamos tanto com isso, que acabamos vendo a Lílian Cabral.

A região em que estávamos era a própria expressão do isolamento. Não apenas pela geografia, já que ganhava méritos de distância somados pela sua natureza: matas, rios e montanhas. Mas o isolamento também era reforçado pelo desenho urbano, a circulação entre os bairros, a relação com a cidade. Para nós, em especial, havia ainda a condição de família, no processo de matar saudades e notícias. A agravar tudo, a forte tensão no ar, generalizada na cidade, causada pelos incidentes recentes de violência urbana. Respirar difícil, claustrofóbico; o desequilíbrio ambiental está explicito na quantidade absurda de pernilongos (as nossas muriçocas). Mas o sufocamento é muito mais pela prisão criada em si, do direito roubado de ir e vir, livre. Livríssimo? Meio livre? Assim como honestidade, não há para tal grau de intensidade. Ou é ou não é. E pronto.

acolhedora [Marlene Paiva Dalvi]
konidomo

miudezas [João Mateus, Joana e Raquel]
konidomo

feito menino pequeno
konidomo

pra ver o Projac de cima [e boa parte de Jacarepaguá]
konidomo

antes de partir [Joana, João, João Mateus, Marlene, Raquel e Júlio]
konidomo

[joaninha encantada e seu filho passarinho]

Joana banana. Rega as flores no jardim. No jardim, uma gaiola, de seu filho passarinho. Maçã na boca, ora da mãe pássaro, ora da mãe Joaninha. A voz dela é rouca. A palavra dela é doce. Tão grande que enche a casa, bonita que enche os olhos. E afaga a alma dos ao redor. E erra o caminho, ou se confunde, melhor dizendo. Porque é tão grande, que esquecemos que é criança. Porque é joaninha. Porque é pétala. E é banana. E faz vitamina de banana (a nossa bananada) de manhã. E pula a janela. Menina amarela. Não gosta de vestido, gosta de cuidar. Gosta de passarinho. Da praia da Pedra da Macumba. Do posto 12. Do estreito entre as duas marés. E não gosta de refrigerante. Arde na boca dela. E faz pequenos jacarés com miçanga colorida. E mandalas com CDs. Gosta de ‘frango em pé’, feito pelo pai. Ela também faz café. À moda carioca. E faz pipoca com chocolate, bolo com cobertura. Sempre doce. Joaninha.


menina fada
konidomo
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