3.5.08
23.4.08
para desparafusar ... o coração ... está aberto o nosso espaço sideral ... tal qual fizemos antes em outra dimensão ... al revés ... ao invés ... do outro lado ... do lado de cá ... ou do lado de lá ... da ilusão ... para desparafusar ... desconstruir desordenar desdesenhar desativar desobrigar descoordenar desestruturar desubicar... qualquer razão ... tal qual abrir-se vulnerável ao mal ao mau ao bem ... além ... o bem e o mal casados com separação de bens ... irrevogável intransferível indiscutível inevitável abrir-se para o sol e não se abrir para a fumaça também ... o cheiro o ruído o imprevisível e improvável também (sempre pode acontecer) ... manhatan no cine club as 11 ... depois de tanta mente usada e revirada reusada refogada com óleo quente ... revivo as estruturas cerebrais ... reviro suas certezas reais ... recrio nossas alianças sociais ... enfático ... se mesmo o tempo se contradiz, esquenta esfria, para despreparar a sua estética ... para escandalizar sua oração ... desplanejar desarranjar desconsertar sua intuição ... mais alheia que não ... Oxalá se caiam todas as paredes e o lar fique nu ... para desparafusar qualquer razão ... ainda que não exista ainda instrumentos verbais para expressar o pensamento caroço de feijão ... em formação ... porque ainda está ainda e é prematuro trazer as frases feitas do colchão ... a dialética do diálogo imaginado do discurso decorado de travesseiro ... mais vale o súbito ainda que desparafusado desconcertado desastrado como elogio ... como espelho ... eu brindo pelo ser humano atrapalhado por excelência por ser difícil sê-lo; embora hoje esteja um pouco de moda, o belo ainda busca a perfeição ... ainda que dentro deste estilo mas artificialmente idealizado perfeitamente imperfeito ... para desparafusar ... o teatro faz reaparições ... que interprete essa figura que dou no seu discernimento ... erre na leitura ágil ... erre na inegável incontestável indiscutível impressão (minha crônica menção ao poliedro) ... que Chet encha um pouco mais a alma de todos os que sentimos demasiado ... para desparafusar – também – a emoção ... e que venha à Córdoba o rei, Roberto Carlos (!) ... e que cantemos em casa ‘pé quente cabeça fria’ dos doces bárbaros ...
["(...) pé quente cabeça fria / saia despreocupado você pode conquistar o mundo desta vez/ pé quente cabeça fria / saia despreocupado faca tudo que você queria e nunca fez(...)"]
garrafa ao mar [18/03/08]
“
Agora em que a felicidade nos aparece representada, desejamos compartilhar, orgulhosamente, este que é um grande êxito. Grande, porque dominou nossas aspirações por largos meses; êxito: mais que por sua validade em si, grande e valioso, porque é retorno de um querer absoluto. Por tantas dificuldades, é mister dizer: os clichês são deliciosos, e se o tal do “sonho” é desejado com afinco, é claro que acontece.
Escrevo, assim, por 3 motivos. O primeiro deles, de natureza emocional, sobre o qual me permito declarar, acintosamente, esse orgulho duplo. Para “desfrutar”, como dizem os argentinos, porque assim como é saudável chorar nas dores, é saudável também sorrir – ou gritar esfuziante - pelos logros, apesar do condicionamento da “sociedade dos sacrifícios”, etc. e etc. E ninguém tem sacrificado tanto por nós como vocês.
Sim, estamos felizes, que isso seja registrado, depois de tantos lamentos. De tantas ausências, esforços reais e sobre-humanos, que, entanto sabemos, não cessarão. Pois bem, nessa atmosfera de júbilo, tenho – particularmente – recordado anteriores. Os quais, devo dizer, na compensação das decepções que pude ofertar-lhes (porque fazem parte das eleições de caminhos, tampouco devem agradar sempre e não seriam louváveis se fosse essa a razão) há de se ser justo no que tange a pontuação, se é que se pode computar assim a vida de alguém. O que desejo dizer com isso figura por alguns momentos em que manifestei infelicidade; lembro de dias em que conversamos (eu então em Maracanaú), diálogo entre pai e filha. Pai (e mãe) que é capaz de tudo pela felicidade dessa filha e que deixa muito claro, para quem quer que viva nesse entorno familiar. Que à primeira vista não entendeu bem as palavras dessa filha quando disse de sua tristeza, de sentir-se descontente, desperdiçada, porque não fazia o que lhe enchia a alma.
Pode ser este um pensamento romântico - ou inadvertidamente burguês -, sobretudo quando se goza o que muitos desejariam gozar. Mas vejo – e sinto -, com exatidão, que idealizações alheias reproduzidas em outrem não são mais que isso, por mais profundo que seja o tal do condicionamento social do bom e do ruim. Não adianta, o valor é interno, é o que vigora as veias, dá excelência à coragem, dá invencibilidade ao corpo. Assim seja, hoje, sinto que me faço compreender melhor. Embora o mundo comunique-se em uma língua capital, creio na manutenção dos dialetos; eu acredito nos êxitos por dedicação, se essa vontade for genuína e intransferível. Não há como apoucar-se com méritos inúteis, posto que sempre serão inúteis (ainda que aplaudíveis ao corpo massivo) se não forem concebidos das entranhas deste pobre ser.
Pois bem, o segundo motivo concerne à informação. Porque, ainda que nos comuniquemos, não se pode negar o isolamento criado pela imersão em novo mundo. Explico: ainda que arrisquemos a equivalência de coisas, palavras, comidas e hábitos, é um engano achar que assim se possa traduzir uma vivência. Cada povo, por mais que se encontre nele aspectos universais – seja pelo trespasse cultural, pelo trânsito de fronteiras, pela “natureza humana”, ou similaridades ocasionais -, possui uma estrutura própria. Temos escutado os professores de inglês, desde crianças, diante da tentadora tendência (afortunadamente, nossas crianças agora escutarão professores de espanhol): “Não traduzirás!”. Porque, de fato, cada expressão está impregnada de muitos outros aspectos além dos caracteres. As fronteiras, apesar de termos sentido tão imaginárias na estrada, são reais no que se refere aos códigos, os quais um “intruso” deve adaptar-se, flutuando da inclusão à exclusão permanentemente, vice-versa. É tarefa de todos os dias, é marca indelével, factual e natural, uma vez que não se formou ali, como gente. Enfim, nem as arquiteturas, nem as línguas, nem as pessoas possuem a mesma compleição, há de se entender, sem “traduzi-las”. Por essa razão, essa carta é também informativa, de modo a ilustrar mais aproximadamente o que significam esses êxitos aqui, ou seja, o que realmente significa essa interação acadêmica que obstinadamente investimos. Do que vale estudar na Argentina – ainda que nossa conjuntura política, econômica e social nos tenha induzido a outros destinos, ignorando o pulsar das próprias artérias latino-americanas.
Não necessito falar de Córdoba, porque é sabido seu valor histórico. Apesar da predileção européia a tantos olhos, nossas escolas nos permitiram um mínimo de instrução acerca das Missões Jesuíticas, das colonizações espanholas, das Universidades que, das mais antigas no continente, aqui foram edificadas. Porém, falar da Argentina, que apesar de ser o país sul americano que mais visitamos os brasileiros, não o conhecemos em sua integridade. Porque a Argentina “traduzida” no Brasil é distorcida para com sua realidade, é desleal para com sua grandeza, é injusta para com sua amabilidade. Por vezes, implica uma visão preconceituosa, intumescida por um pensamento perpetuado e repetido, assimilado, subalterno – das massas que reluzem uma arcaica divisão mundial, sem saber que estão com isso cimentando os próprios pés na submissão. Esta vista, não nos interessa. Por graça, ainda estamos por decifrar muitas faces. Por uma leitura personalizada e não induzida. É um processo que deve manter a serenidade, como o corpo do novo amante por descobrir.
E, disso, fazem parte nossas eleições acadêmicas, não são em absoluto casuais, não são expressões isoladas, nem fruto de efemeridades. Fazem parte de um plano, ou alguns planos – individuais e também em conjunto, a abranger o KONIDOMO. Foram encontros felizes de vocações e aptidões com possibilidades. Como se tivesse que ser. Como casal fadado ao casamento. De um lado, um romance com as imagens, de outro, com os verbos. Assim, reviramos as oportunidades, por alegria encontradas. Ambas através da Universidade Nacional de Córdoba: uma na Faculdade de Filosofia e Humanidades, onde cursarei esse Mestrado em Antropologia e outra na Cidade das Artes, pela Escola de Artes Aplicadas Lino Enéas Spilimbergo, onde Júlio cursará fotografia. É essa uma espécie de Faculdade, entretanto, uma modalidade a qual não reconheço no Brasil; a Cidade das Artes é uma Instituição, como o próprio nome sugere, de expansão artística, de modo a habilitar e desenvolver aptidões manifestadas na música, no teatro, na fotografia, no desenho, nas Belas Artes. Como disse, ainda estamos conhecendo, mas de antemão, posso arriscar dizer que é apaixonante, bonito de ver. É um espaço de transcendência, razão pela qual me faz orgulhosa saber que, também pelos rigores no tocante ao ingresso (um mês de curso eliminatório, através de aulas, provas e trabalhos das mais diversas naturezas), Júlio agora fará parte.
O último motivo para meu verbo excessivo – ao que me valha também este deleite de dedilhar os divagares – reside na gratidão que não queremos e não podemos nos furtar. Porque, como sempre dissemos, nada poderíamos sem aqueles que, mais que crer no aparente desajuízo – porque se tende a ver loucura no que não é convencional – possibilitaram efetivamente esses desejos. Nossos mais profundos agradecimentos.
Ainda que por meio cujo tato se faça ausente, os sentimentos encontram matéria pelo caminho, de modo que a física quântica haverá de responder pelas sensações,
O mais terno abraço,
Raquel e Júlio
30.3.08
tensiones y retenciones










[imagens acerca do ¨cacerolazo¨realizado em várias partes do país, em contra ao governo]
para saber mais:
(depois do mais recente pronunciamento)
http://www.agencianova.com/nota.asp?n=2008_3_27&id=49338&id_tiponota=4
(lado B ou avaliando de outra ótica)http://www2.lavoz.com.ar//08/03/27/secciones/economia/nota.asp?nota_id=175257
(depois do ¨duro¨pronunciamento)
http://www2.lavoz.com.ar/08/03/26/secciones/economia/nota.asp?nota_id=174818
(jornalismo de Córdoba)
http://www2.lavoz.com.ar/08/03/27/secciones/economia/nota.asp?nota_id=175204
(videos)
http://www.lnteve.com/tags/campo
22.3.08
uma história



* essas fotos foram feitas para o processo seletivo 2008 da Escola de Artes Aplicadas Lino E. Spilimbergo. Instituição que se dedica a formar fotógrafos aqui em Córdoba-Argentina e localizada na Ciudad de las Artes. É a terceira de uma série de tres histórias que elaboramos para o último exercício da avaliação.
18.3.08
contorno
É possível também que existam tantas palavras parecidas ou traiçoeiras, que mudam de idioma a outro. Radicais, estruturas verbais, origens comuns... Mas há outras mímicas; há no silêncio uma comunicação consentida. Da fila do supermercado, do elevador, do ponto do ônibus, das salas de espera. Que tampouco é mudo, ou surdo, ou cego. Há no silêncio a perpetuação das espécies e a mesma consistência civilizatória. Um brasileiro calado é um brasileiro.
E sim, o contorno dos conjuntos – unitários, como o solitário crônico – se enxerga por outras vias. Não somente pelos olhos. Desse contorno falávamos antes de tomar a estrada. Porque desejávamos ardentemente enxergar o contorno do Brasil. E não falamos das linhas territoriais, que lemos nos mapas e tampouco sabemos de sua lealdade. Verdades verdadeiras? Tudo pode ser inventado, recriado, persuadido. Que cor teria essa linha de contorno brasileira, para quem jamais a houvera ultrapassado? Ainda ali, jamais poderia arriscar palpite que não fosse tendencioso para com o óbvio de nossa bandeira. Mas assim, aceitaríamos o fato de que uma convenção de cores representaria nossa pátria no imaginário. Seria por indução ou por conclusão? E ainda que houvera cor, ou uma comum, talvez importasse mais a sua existência; esse contorno é deixado e trazido; um porque acompanha o brasileiro exilado, outro porque deixa marcado seu espaço vazio, dentro do contorno maior.
“Pude sentir no exílio, como é difícil para um brasileiro viver fora do Brasil. Nosso país tem tanta seiva de singularidade que torna extremamente difícil aceitar e desfrutar do convívio com outros povos. O prefeito de Natal morreu em Montevidéu de pura tristeza. Nunca quis aprender espanhol, nem o suficiente para comprar uma caixa de fósforo. Alguns se suicidaram e todos sofrem demais. Basta ver uma reunião de brasileiros, do meio milhão que estamos exportando como trabalhadores, para sentir o fanatismo com que se apegam a sua identidade de brasileiros e o rechaço a qualquer idéia de deixar-se ficar lá fora.”
(Ribeiro, Darcy in O Povo brasileiro)
13.3.08
29.2.08
Terapia da libertação
O tempo nublado é água em suspensão. Tenso o céu, a certeza que se tem é que uma hora chove. Se chove forte, fraco, pouco, muito, às vezes não se pode precisar. Nem especialistas, por mais que a tecnologia para tudo hoje seja o que seja – explosões de satélite que o diga; guerra nas estrelas, war fase atmosférica?
É que o tempo agora é este: uma nuvem puxa outra, como abrir uma aurora? Assim: um dia se desperta e se sublima os fatos. E olhe que tantas travas não são fáceis de decodificar. Todos temos nossos absurdos. Um passo para a libertação é esquecer um pouco a limitação e andar na chuva. A água que molha é menos fria que a da imaginação.
Terapia da libertação (parte II)
Abriu a porta e entrou. O homem lembrou sua condição. Não, e não faz mal. Saiu com todos seus pedaços.
Terapia da libertação (parte III)
só para srtas comércio c/s experiência
4h diárias bom salário
CV 10/12hs rua tal, subsolo, of. X.
Circulei o anúncio,óbvio, mas com uma mistura de alegria e desconfiança. Perfeito, um trabalho assim: 4 horas por dia, sem demandar experiência. Bom. E estranho. Mas... ¡dale!. Que podia passar?
Coisas de centro de cidade. De subsolo, este cenário categórico, público, onde todos podem passar, anonimamente. Convive-se e não se sabe com que; cumprimenta-se, não se aprofunda. O medo dá ao corpo estado de alerta: qualquer ameaça, disfarça-se e desvencilha-se, discretamente. Ou não, desaparece.
Para tanto, para viver uma história assim, há de se estar disposto. Vai-se ao tato, superando-se até quando não se deva mais. É certo que às vezes vai-se muito longe, mas repito: que poderia acontecer? Aos verbos de uma amiga: que me faz mais especial que a multidão?
Bom, havia outras meninas, caso contrário, não me atreveria a tanto. Uma fila, algumas informações flutuantes e olhos – e ouvidos – abertos. Participei de uma entrevista em conjunto, que, embora possuindo a inegável condição de estrangeira, deu-me certa igualdade. Ótimo, sentia-me incluída. Além disso, a estupidez e o terrorismo soavam democráticos. Um blá desses ordinários, para que não se pense ou que se sufoque na própria necessidade. “Quer ou não quer trabalhar?” Uma a uma ia-se acertando interesse, para a seguinte fase, da capacitação. E, para tanto, haveria de pagar um sinal ou a inscrição inteira. Sinal porque o curso possuía vagas limitadas. Bom que era de pouco valor. Estranho porque tudo era muito estranho. Mas fazer o que? A pergunta latente, a reforçar o discurso de trabalho, de vontade a condicionamento mental, esses primários dos primeiros lugares comuns acerca do tema. E, ya está, que molhasse enfim a chuva, não estava para perder essa por mim. Antes a negação que a desistência, render-se nunca, já dizia (em outros termos) Van Dame.
No outro dia, na hora marcada, fui. Estava chovendo realmente e não foi empecilho para minha grandessíssima vontade de conseguir um trabalho. Ainda não sabia ao certo de que se tratava, por alto, algo de cosméticos. Estava bom não ser rejeitada de início pelo sotaque, pela falta de CUIL (documento para empregados), DNI (documento nacional de identificação) e tudo mais. Também estava bom não me escravizar tão ligeiro a esta que é a prisão trabalhista full time. Essa ilusão toda que se cria, de dignidade, de prosperidade, de necessidade, etc e etc invertido. Ainda havia também uma curiosidade espetacular, a superação também que move as pernas, dá ânimo, ir-se, jogar-se! E, “ojo”, não sou “abestada”.
Encontrei duas meninas que havia conhecido na fila. Compartilhávamos alguma desconfiança, mas lá estávamos. Chegando outras e o nosso então instrutor, entramos na sala. Apesar da seriedade do propósito, estava divertindo-me. Calcei um bom personagem, atenta a postura e cuidados com minha integridade. Escutei tudo com atenção, de modo também a descobrir alguma marmota. O certo é que passamos 3 horas de pé, respondendo perguntas-armadilhas que se revertiam em números os quais o senhor não pretendia revelar significado. Duas desistiram por cansaço, aí descobrimos que o labor era de pé, sem ajuda de paredes ou apoios para atenuar. Não me abalou, vejam a quantas andavam minha “atitude” e minha “perseverança”.
Ao fim, apresentou-nos o produto, a maneira, as condições, a natureza do trabalho. Os fatos ficavam mais claros, surgiam mais informações, mas permanecia sempre o tom estranho. Perpetuava-se algum mistério. Concordei em fazer o trabalho prático, levei meu material para casa, aprovada até essa etapa. Fiz algumas amigas, conversamos no caminho, repartimos os estranhamentos.
Cheguei à casa, viva. Pensemos assim. E compartilhei a história, porque não poderia haver fábula tão fantástica para contar. Chegamos à conclusão de que talvez o tom estranho não passasse nunca e poderia causar danos irreparáveis no futuro, digamos assim. Enfim, já havia cumprido o papel predestinado: nada mais eficiente como terapia da libertação. Dos bloqueios, do idioma, da timidez. Mas há sabedoria em não abusar dos ensinamentos, “hacer caso” ao feeling, saber parar. No outro dia, apesar do discurso já imaginado, devolvi tudo. Escutei o “nem sequer tentou”, com a certeza do quão havia tentado e logrado.
“Abriu a porta e entrou. O homem lembrou sua condição. Não, e não faz mal. Saiu com todos seus pedaços.” (terapia da libertação parte II)
Embora não tão cordial, como no outro caso, passou. Entanto, não nego: ainda repercute o risco da proximidade que um sente ao dar-se com o perigo. Ainda que tudo seja obra da cabeça. O certo é que a cabeça deu-me um conto e o conto, uma ‘alta’ social.
Fim da terapia da libertação: por 10 pesos e dois dias. Garantida alguma emoção.
1.2.08
homo urbanus
Para ler uma matéria acerca do tema, que não a citada no início do texto: http://www.clarin.com/suplementos/zona/2006/12/03/z-03903.htm
pálpebras para os ouvidos
10.1.08
moléculas tropicais (07/01/08)
Argentina, 40˚. Assunto dos telejornais. Conversa de elevador. Desculpa para bar. Sonho de piscina. Aqui, na cidade, é permitido banhar-se nas fontes das praças. Não há brisa marinha. Não há mar. Por mais que nos valha a compleição - somos feitos de moléculas tropicais – também sentimos. E desligamos o calefon. Quem precisa de água quente? Mas cai a temperatura de repente, embora não baixe de 20˚. Todos se vão a Carlos Paz, a 57 km da capital cordobesa. Todos se vão a Mar del Plata. Ou para o Brasil. Porque os cordobeses amam o Brasil, sobretudo através da Bahia, do Rio, de Santa Catarina, pelo lugar mais argentino no Brasil, Balneário Camburiú. Muitos sabem onde fica ou ouviram falar de Fortaleza, Recife, Maceió. É verão. É inacreditável.
diciembre
37C ST 42C
(*) Otto, “Dias de Janeiro”, álbum “Condom Black”.
dezembro e a ilha
Os mesmos estudantes, nossos rivais inquilinos, que vêm de todas as partes da Província pelas razoes acadêmicas, partem nesse período para suas casas, de modo a passar o natal com suas famílias. A conseqüência é da mesma devastação meteórica. Um rombo urbano; de repente estávamos sós, embora os ruídos continuassem com os mesmos absurdos decibéis, ônibus, motos e caminhões, que aceleram seus motores de modo a vencer a subida do viaduto. Às redondezas do Terminal Rodoviário, onde estamos. Óbvio, faltou aclarar esta parte. Graças à astúcia de nossos anjos cansados, mas obstinados, o universo nos brindou uma sorte. Naquele mesmo dia do “e agora?”. Da calçada para a lembrança de uma conhecida ocasional. Para uma possibilidade acenada e quase descartada, por ser mais do que creíamos necessitar. Assim, nos valia ter o teto, sobretudo neste período de desafio emocional natalino.
500w
um eco que fica
navidad
[ai se foi 2007 com nosso barco de oferendas para Iemanjá pela Cañada – um canal no centro da cidade – pois quem não tem cão (...) e, ademais, há de se ser criativo. Por volta de uma do dia um, fomos os 3: Julian de Mendoza conosco, graças a engenhosidade de Julio, desceu elegantemente o barco por um cordão preso por um gancho, ate alcançar a água. E assim o vimos seguir correnteza em direção Norte. Ojala encontre o sal, a natureza bruta do Atlântico]
Nus; polianisses e a selva imobiliária
Dezembro; assim se deixa implícitas várias condicionantes. O coração mais frágil, tempo de durezas e amolecimentos, do corpo e do espírito. Não há como fugir do abismo coletivo emocional. E ainda, aos desavisados pretendentes aos alugueis cordobeses, um agravante: a especulação imobiliária selvagem. Jamais vista. Em Novembro e Dezembro, quando a cidade recebe a primeira ola de estudiantes e em Fevereiro, com a segunda, são os períodos mais dramáticos. A ponto de ser anunciado um imóvel pela manhã e estar ocupado já pela tarde. Chegamos, inclusive a ver apartamentos com mais dez interessados, num ensandecido salve quem tiver melhores garantias ou mais rápido gatilho para reservá-lo. Não há misericórdia. Demanda estudo cientifico, ai vai uma sugestão.
Pois bem, ao relento: “e agora?”. Depois de todo tipo de violação da dignidade, mais uma dura provação. Estar na rua é, sem adjetivações, estar nu. Nu, de roupas, mas nu: espartanos sem escudos, levando tiros de olhos e de qualquer natureza de projetil. Suportar ‘Polianisses’; já não é inverno. E, ademais, estar seguro de que uma condição sempre pode piorar. Enfim, o clima nos brindara um cenário mais ameno, embora, vez e outra, nos sabotasse as investidas com chuvas e toda qualidade de evento cósmico, de vendaval a granizo. Chegamos à conclusão de que, sim, Otto tem razão. Só não caímos porque somos nordestinos e bem alimentados. Com todo respeito aos demais compatriotas: evocamos o Severino e de cócoras refizemos o latino americano. Porque não é qualquer veia que pode com este sangue.
grande biu
internos
externos
- a Victoria, por nos receber em sua casa por duas semanas e meia, periodo decisivo para nosso futuro e, sobretudo, porque nos fez mais fortes;
- a Martin Miguel, quantas vezes podermos gritar ao mundo, por tudo que nos fez, principalmente porque é dos amigos mais especiais que a América do Sul nos presenteou;
- a Martin Bettiol, pela decisiva ajuda, pelo carinho, pela amizade que se afirmou;
- a Verónica Palma, pelo coração aberto, desde o dia em que nos conhecemos, pela essencial contribuição, por todas suas delicadezas;
- a Ignacio, por compartilhar as dores e por prometer compartilhar tambem as alegrias futuramente;
- a Theresa, por nos abrigar e nos conduzir à solução de todos os nossos problemas;
- a Fernanda, por nos estender a mao num dos dias mais difíceis de toda a viagem e nos brindar com sua amizade;
- a D. Pilar, pela existência de Fernanda, pela compreensão, pela sensibilidade, pela decência que demonstrou sempre;
- ao Santiago e ao Oscar, pela ilha que representaram em nossa passagem, pelo interesse, franqueza e fineza incontestáveis;
- aos queridos todos que de maneira fundamental a nossa sobrevivência dos últimos dias contribuiram direta ou indiretamente.
30.11.07
LARhogar
24.11.07
um ano de expedição
codigo
meio
um.receptor
Júlios e Villa Mercedes (17,18 e 19/11/07)
casa ombligo
um julio
muito bom
llamar la llama
toten
Nossa Senhora Argentina
15.11.07
a vida é o que está (12/11/07)
A vida, aqui em Mendoza, é o que está. Julian entretido com o forno de barro, no quintal, na arte dos asados ou dos frangos com legumes; Lisandro ordenando a casa por toda parte. Amáveis cães: Bonarda vegetariana, Fúria zen. Visitas recorrentes; vem Ramiro, vem Pedro, Vernie, Pepe, Luis, Federico. Nunca mais encontramos Kike, mas a sensação é de se ver, carinho que ja se basta, sabemos que está feliz. E feliz é sempre o que se quer estar, paliativos ou não; a gente ri um bocado nessa casa, embora também sinta muito todas as contrapartes. É o que está. É o que vivemos, nem menos, nem mais. É a medida do que tinha de ser, a sincronia de deixar por fazer a casa dos cachorros. Há beleza em deixar certas coisas inacabadas. Por outro lado, um lamento: não convivemos tanto com Lisandro, um sujeito pulenta, como de diz aquí. Através dele, visitamos mostras de Arte, como a de "100 años de pintura Argentina y Mendoncina", fomos a uma Inauguração de uma bodega de vinhos, a Bodega Septima, espetáculo. Dançamos na sala, assistimos televisão. Há músicas que realmente marcam essa história. E Suzana, para as noites de dia tranquilo.
Um tempo repartido; esse tempo louco, de granizo, de chuvas a alagar a casa, tormentas, a gente passa de 35 a 8 graus num mesmo dia. Há um sol de valentia às vezes, mas também há um vento gelado de correspondente teimosia. A gente olha no céu, imprime o dia. Há demasiado sentimento. De tensões a alegrias. Esse é o espírito andino que captamos. Tempo dividido, entre o ir e o estar. Ainda haveremos de ir a uma terma por aquí. E tornar esse tempo um pedaço a mais de saudade.
Lisandro Guiñazu
Ramiro, el vecino
Vernie
Luis
Pedro
Lorena, Hugo y Almita (¡que ya nació!)
Pupy y Triny
televisor cuyano
sugerencia del chef
Republica Independiente de los Estados de San Pedrito
termal
Cacheuta
domingo
uno.morpheus
troféu
cumpadres
5.11.07
missão San Carlos (de 20 a 23 de Outubro de 2007)
Desde que foi publicada a entrevista do Konidomo no Diário Uno, de Mendoza, estamos em contato com uma Instituição chamada UNIDAS. Um membro que vive em San Carlos, uma das sedes da Orgnizacão, nos convidou para uma visita, queria conhecer o nosso trabalho. Assim, iniciamos diálogo, na tentativa de encontrarmos o período e a maneira mais adequada para efetivar esse encontro. E foi há pouco, passamos alguns dias no Valle de Uco, precisamente no povoado de La Consulta (categoria de pueblo, populacão inferior a 10 000).
Além de se tratar de uma região de natureza impressionante, com a Cordilheira de presença explícita e constante na paisagem, foi uma experiência interessante em muitos aspectos. Conhecemos um lugar com características próprias, mas de uma similaridade gigantesca com nosso sertão cearense. Não fosse a amplitude térmica absurda, o espírito andino, o castellano; caminhar pela estrada de barro, entre as fincas às vezes nos remetia ao imaginário do nosso semiárido. No que concerne ao conteúdo humano, conhecemos uma comunidade que almeja proteger-se, desenvolver-se com responsabilidade, sobretudo no que tange ao turismo. Participamos de uma reunião local acerca do assunto e, a linguagem, a maneira como pensam sobre o tema, é incrível.
Nossas questões se reproduziram. O campo do novo milênio é high teck? UAU. Há um sentido migratório inverso, alcance da internet, alimentacão globalizada... Modelo argentino? Ou modelo atual? A volta ao campo é uma volta ao ambiente natural ou a artificialização desse ambiente? Ou, melhor dizendo, se busca reculturar-se ao tom interiorano e seus tempos naturais ou apenas refugiar-se dos desmantelos urbanos, levando consigo seus costumes já arraigados? Que sugere esse fluxo?
¿Que está pasando?
missão Córdoba (de 28/09/07 a 12/10/07)
O que programamos?
Um curso, a parte de todos os outros que provavelmente aconteceriam simultaneamente.
O que buscamos?
Tudo e nada específico, um ar urbano, um ar fértil, revirar as possibilidades, como sempre temos feito.
O que aconteceu?
Uma reviravolta.
[Acerca do qual, dos tempos; uma música marcante. Remetida aos conflitos, de homens que também sofrem. Que também se enveredam pelos labirintos dos proprios pensamentos. E por assim ser, compreendem o português de Vinicius, mesmo sentindo em castellano. Compreendem o ão, o inho, o sorriso de Bethânia. E são arrebatados, por algo além das palavras. Que também são perfumadas de um olor universal. Entra como alimento. Embora a biologia não explique nossas minúcias.]
"Quem já passou por essa vida e não viveu,
criando pombos
audio-visual+antropologia
representaciones sociales: modos de articular practicas y discursos en su historicidad
fértil
cordoba.fortaleza.rio
nacionales
fans de Darin
Martin recebe
um diálogo
cordobes
[E então já somos 4. O dono da pieza que estávamos antes chegou. Quando chegamos de Córdoba. Então estamos cada qual a seu modo em um espaço próprio, dentro de outro compartilhado. Mais uma interessante companhia.]
31.10.07
de hóspedes a hospedeiros? (21/09/07)
HC Chile
Estef
Joaquín
piloto
HC Brasil
p.f.
[creciendo]
profissão perigo ( 13 /09/07)
Inventar também é artimanha de arquiteto. De vez em quando faz um levantamento. Arruma bico, um sistema novo para a cortina da pia da cozinha. A Arte do rebolado! Que maravilha de formação; sempre pensamos que a maior dádiva da profissão é o estímulo criativo!
cidade (10/09/07)
Mendoza e suas particularidades. Dividida em departamentos. Cordilheira paralela à San Martin. San Martin que corta todos os departamentos. Centro, onde há mais serviços. Consulado do Brasil. Feira, azeite de oliva saboroso e barato, artesanato, praça Independência. Cultura mendozina, de tortita raspada, pinchada e outra que não lembramos o nome. Porque preferimos essas duas. Dizem que só há aqui. Vinhos locais, bodegas por toda parte. Fronteira com Chile, alguma similaridade. Alguma montanha no caminho. Algum desenho urbano reconhecido. Jeito de falar. Jeito de morar. Jeito de fazer asado. Clima seco, inverno frio. Água neve, neve farta, neve quase cotidiana. Flores de desenho animado, cores, primavera. Um sol que duvidávamos, varonil! No ônibus às vezes não se paga, por lotação ou pela delicadeza da máquina de arrecadação de moedas. Às vezes quebra. Às vezes ignora. A cidade pela linha 12 ou 16. A cidade e seus encantos, vividos ao som de Vinícius, Tim e “Tábua de esmeralda” de Jorge.



