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18.12.06

como coisas de Caio Fernando Abreu (14/12/06)

E ele disse: espera secar no pé, fica assim como está – e mostrou a semente de helicônia – muito sol. Para lugares de estações, o melhor é plantar no verão. E ela disse: ele é hermético, explica com todos os detalhes e entrelinhas... E com isso, ele continuou: são mini-bananeiras. Dá mais de um olho. Cada olho, uma flor. Cada flor, uma mamona. Cada mamona, milhões de sementes. Depende do tamanho... E ela sorriu, como o sol que era. Cabelos na cintura. Pareciam os textos lidos sentidos transpirados, como coisas de Caio Fernando Abreu. Morangos em vasos sanitários? Ele contou sobre uma crítica no jornal, acerca de uma exposição ou algo do gênero, ao lembrarmos de Morangos Mofados. E olhou-se para o saco de sementes: não lembramos de onde partiu a idéia, ¼ de cada, talvez, um pedaço de cada um. Até ficar meio inteiro: deixar uma semente em cada lar adentrado. Não fosse só bonito e metafórico, era ainda uma idéia fértil. E ele ou ele ou ela ou ela disse: cada pessoa vai ficar com uma flor. E quem não disse, imaginou no exato instante. E, encantada, ela disse: que sobre uma para o nosso jardim. E ela, ensolarada, com olho de amor respondeu: se a estrada é o lar de vocês agora, terão um jardim em cada canto da América do Sul. Passou um anjo, naquele segundo. E ele sorriu. E sorrimos todos juntos.
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