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31.10.07

confinamento (21/08/07)

Confinar-se. Com fim de proteger-se. Do frio, sensação artificial a um organismo de células tropicais. De compleição semiárida. Do nordeste brasileiro. São vinte oito anos sem inverno, sem neve, sem tanto açúcar refinado. Moléculas estranhas. Feitas desde crianca a base do cuzcuz, do queijo coalho, da manga, do feijão, da goiabada. Não é saudade de capricho, é de carência! De átomos formados por geléia de mocotó. Mais que paladar é a propria matéria prima. Consistência. Avitaminose de pé no chao, um pé que nao entende tanto confinamento. Confinado. Com fim de proteger-se. E como exigir saber se proteger se jamais se vira em semelhante situção? Demanda vernáculo; passar por todas as etapas. Assimilar o clima pelos hábitos: comida, água, roupa, banhos. Observar como se sobrevive aos extremos naturais. Se pode um parisiense morrer de calor, por que não poderia um cearense morrer de frio?

Yo que tengo frío
Debajo de las frazadas
Por dentro de los abrigos,
Mientras la salamandra
Calienta los dolores
Calienta los olores
De los palos;
Cerradas las ventanas
Yo que tengo los ojos
Abiertos para el desconocido,
Mientras la salamandra
Calienta los colores
De los hielos,
Se escucha un raro sonido
Yo que tengo sentido
la casa nerviosa
el alma temblosa
Madrugadas;
los perros afuera,
los perros adentro,
Yo que tengo conmigo
un alma herida,
atrapada y sentida;
Debajo de las frazadas
Por dentro de los abrigos.


[retomo os versos para brindar a astúcia da comunicação humana,
Diário de Rita Brum]


konidomo
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