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24.6.07

almoçar em família (30/05/07)

Enquanto estivemos nesse pouso, sentimos-nos em família. Uma relação de afeto, almoço todo dia. Ela chegava pelas três, esperávamos para comermos juntos. Falávamos sobre o dia, dávamos notícias da televisão, que por sinal era muito estranha.

Comer bem já é um alento para o frio. Tempo assim é perverso, soubemos de muitas conseqüências cruéis, sobretudo àqueles sem acesso à mesa, ao calor, às possibilidades de proteção. Assistimos pela TV a conjuntura social; escolas públicas sem calefação, mendigos mortos nas ruas pelo frio, gente morta por asfixia ou incêndio, na tentativa de se aquecer. Para alguns, o inverno é romântico e a neve charmosa; por outro lado, é vilão. Uma velha história de desigualdade faz mais extrema a condição: enobrece ou mata, enfeita ou maltrata. A gente transita pelos dois âmbitos, às vezes compartilha abrigo alheio protegido, calientito e farto. Mas, à rigor, não temos teto. No fusca, o frio dói, entra sem piedade. Durante os trajetos, sentimos o sabor dos ventos cortantes, gelados.

A sorte é ter mesa plena, cobertas, paredes. Agradecemos pelas dádivas, vigorosamente. A alegria é ter pouso aquecido, ver o inverno por uma janela de vidro. De outro modo, não há beleza em sofrer, tampouco admirar-se frente a um fenômeno, enquanto ele mesmo – não culpemos o clima, outrossim, a perpetuação das injustiças sociais – está a matar tanta gente.

pra cobrir
konidomo
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