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31.5.07

computaDOR (13/05/07)

um dia de texto. uma tarde de inspiração; fotografias. sol, raridade, fotos não retornáveis. palavras que vão, que nunca foram. impossível refazer. impossível a mesma composição. vai-se a criação, pela lixeira. e não há cacos, resíduos, papel... lixo virtual , não existe. porque teor de computador só existe depois, se imprimir. se não há, apagado não há duas vezes. não existe letra, não existe imagem. é tecnologia. salva às vezes, facilita outras, mas quando é cruel... é cruel. é mudo, é surdo. inanimado. não sente a dor da perda. não sente a bola de rancor entravada na garganta. o choro preso. a ira comportada, pela presença de alguém. a raiva contida, disfarçada, como uma perda casual e inabalável. o olho afundando relutante em sal. é a impossibilidade da reelaboração gritando, enquanto alguém tenta a última solução. mesmo como muito esforço, não há recuperação. não se recupera. nem com a tecnologia ao espaço, não se recupera um arquivo de word? arquivo de word é quase... é tão banal! mas texto, foto... é momento expresso, irreproduzível! perder 300 fotografias. perder o fôlego. perder o estalo das teclas, canal que abre, exato, único, de palavras encadeadas, irrecuperáveis. irrecuperável a idéia, irrecuperável o momento, irrecuperável o tempo, o produto final. irrecuperável. backspace, delete, deep freeze, esse o criminoso. impiedoso. assim levou dos dedos minha retórica. e dos olhos do fotógrafo, a luz rara do sol.


tudo
konidomo
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